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Papo de Passarim

Primeiro queria esclarecer que estou sem postar há algum tempo porque estava meio enrolado, e também vi que o pessoal tava tocando o barco bonito. Mas vamos ao que interessa.
Estou com esse CD já tem um tempo na manga e esses dias o Rafa, vulgo “Rafinha ou Goncalves”, me mandou um vídeo do Dori Caymmi, onde o Zé Renato e o Renato Braz, interpretes do disco “Papo de passarim”, participavam. Decidi que era hora de mostrar o disco.

Com lançamento independente, o CD traz duas vozes, dois violões dos respectivos interpretes e um baixão do Sizão machado. Uma fina percussão e nada mais. E com certeza também nada menos, não falta nada.

Como já citado acima o nome do CD é Papo de Passarim. Vale a pena conferir. Aqui deixo um aperitivo do trabalho que conta com composições de Dori Caymmi, Aldir Blanc, Wilson das Neves e muitos outros

Apreciem sem moderação… o disco, claro.rsrs.
Abraços,
Leandro Mattos

Um novo amor chegou – PCP e Wilson das Neves.

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Malandro suburbano
Sambista de trato fino
Faceiro, muleque implicante
Amigo, irmão, primo. (Rafinha)

Faz da vida em festa
Quando a festa está pra ela
Garantiu o compasso da dança
Com tremenda segurança. (Gonçalves)

O tempo por ele passa
Num ritmo bem mais maneiro
Seu andamento é o batuque
Seu relógio é o pandeiro. (Rafinha)

Tempo que nunca foi pai
Provocando disritmia
Levando pra longe do sul
As saudades de minha tia. (Gonçalves)

27 temporadas de regência dessa orquestra
Parabéns para você, parabéns por essa festa
Continue sendo assim, na responsa e no gingado
Um bêbado de botequim, tocando um cinzeiro de barro.
(Rafinha e Gonçalves).

Saúde e paz, irmão!

Abraços,
Léo Brito

Resta sobre o bar

Esses dias estava ouvindo um CD de Maurício Tapajós de 1980, quando me deparei com esta excelente musica de autoria do próprio Maurício Tapajós, em parceria com Paulo Cesar Pinheiro e Guinga.

Resta sobre o bar
(Mauricio Tapajós, Paulo Cesar Pinheiro e Guinga)

Resta sobre o bar a garrafa vazia
Arde meu olhar a implorar companhia
Meu coração prenuncia
Festa de dor sobre a mesa
Resta me bêbado só conversar com a tristeza

Depois do adeus de uma mulher
Beber é o único meio
Porque o adeus de uma mulher costuma ir como veio
Mas felizmente pela bebida
Meu coração se desabafa
Ouça tristeza, vou pedir outra garrafa.

Abraços,
Victor Cardozo.

Há tempos venho gostando muito das gravações aleatórias que escuto do Arranco de Varsóvia, como “Vim Sambar” do Aldir 50 anos, ou “Disritmia” do Martinho. Confesso que não conhecia muito mais da obra e hoje baixei algo deles (o primeiro disco) pra escutar. Tem algumas coisas batidas do nosso belíssimo cancioneiro popular, mas também gostei muito da versão de “Quem é de Sambar”, de Sombrinha e Marquinho PQP, consagrada na voz de Beth.

Talvez por também ser uma das músicas novas do repertório do meu pai, que não para de tocar aqui e na casa de vovó. Né, Vicpédia?

Quem é de Sambar
Sombrinha/ Marquinho Pqd

Quem é de sambar vem agora, vem agora, vem agora
Pra dizer no pé não tem hora, não demora, não demora
Quem samba procura o prazer de viver
Desfaz essa mágoa que só faz sofrer
Meu samba tá pronto pra te receber

Meu samba é puro e não deixa em apuro
Quem quer encontrar solução
É a receita de Deus
É uma religião
Que faz o fraco se fortalecer
E o indeciso por os pés no chão
Se é mal de amor não deixa doer
É o remédio pro coração
Meu samba não pede passagem
Nem leva bagagem de mão
Em qualquer canto ele está
Porque é dele esse chão
Com sua força de contagiar
Vai cativando quem não quer chegar
Mas sei que tem gente no fundo querendo sambar

No samba não tem corda bamba
E a nossa caçamba tem corda de não rebentar
É, mas sei que tem gente no fundo querendo sambar
O samba é a arte mais pura
É a nossa mistura, cultura que é bem popular
É, mas sei que tem gente no fundo querendo sambar
Mas samba merece respeito
E não dá direito a quem só quer discriminar
É, mas sei que tem gente no fundo querendo sambar
É, mas sei que tem gente no fundo querendo

Abs,
Léo Brito

Fatalidade

Samba do Alfredo Del-Penho divulgado hoje, em alusão às vítimas da barbárie. Alô alô Realengo, aquele abraço! Via Vermute com Amendoin.

Fatalidade
Alfredo Del-Penho e Rodrigo Alzuguir

Hoje o morro inteiro vai descer
Pra dar uma força pra Maria das Mercês
Que a filha da Maria veio a falecer
Num tiroteio agora às dez pras seis, valei!

Morreu
A caminho da casa da irmã
Desceu da van
Quando deu-se o pega-pra-capar
Foi tiro e nego se jogando ao chão
Então fatalidade aconteceu

Quando viu seu rosto na tevê
Chorando a filha que jamais verá crescer
Maria das Mercês chorou mais uma vez
Dizendo “o choro é meu, só meu”

Daí
Foi tocando a vida devagar
Pois se entregar
É uma coisa que não dava pé
Além da que morreu, tem outras três
E as contas pra pagar no fim do mês

abs,
Léo Brito

Pendurei as chuteiras

Vou trazer agora um samba de Claudinho Guimarães, Evandro Lima e Serginho Meriti. O nome do samba é Pendurei as Chuteiras e se encontra no CD Luz do Criador de Claudinho Guimarães.

Pendurei as Chuteiras
(Claudinho Guimarães, Evandro Lima e Serginho Meriti)

Já guardei meu Boné
Joguei a toalha
Pendurei as chuteiras
Chega de bandalha
eu já fui da navalha
Linho S-120
Chapéu de palha
Malandro de alto requinte
Mas parei com tudo
Cigarro e Canudo
Em roda de malandro
Hoje eu entro calado e saio mudo

Limo na rocha
Agua turva no bueiro
Cabra de uma só cabrocha
galo de um só terreiro

Mas eu tenho saudade
Daquele tempo de outrora
Em que eu tomava uma brasa
E pra voltar pra casa eu não tinha hora

Abraços,
Victor Cardozo

As escolas do Sambódromo

Vi muitos amantes do samba indignados com a vitória do rei da nossa música em cima do Nelson Cavaquinho. Sinceramente, acho que as escolas que desfilam na avenida hoje têm muito mais a ver com o motorista do calhambeque do que com o violonista de dois dedos da mangueira.

As escolas, que não ensinam mais samba, precisam de um motor embalado pra atender as necessidades desse carnaval, fator que não combina e não exprime a essência, o fundamento e a cadência do samba – porque é preciso correr na avenida para que o tempo fique certo (Plim Plim). O nosso pop rei ganhando samba representa bem o cenário em que vivemos na música brasileira, onde ritmos, gêneros e seja lá o que for parecem tudo uma coisa só.

O reinado e rei podem até entender de apuração, mas nunca vão saber de samba no pé, que se constrói na rua, no botequim, na noite, na escola do samba que não é transmitida, na nossa cultura que agoniza, mas não morre. Aos sambistas que construíram essa história, resta a lembrança dos amantes do verdadeiro samba, porque os amantes da grana não vão deixar essa cadência cair.

Nelson, fique tranquilo, porque em mangueira, todos choram!

Abs,
Léo Brito

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