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Archive for the ‘Textos’ Category

Malandro suburbano
Sambista de trato fino
Faceiro, muleque implicante
Amigo, irmão, primo. (Rafinha)

Faz da vida em festa
Quando a festa está pra ela
Garantiu o compasso da dança
Com tremenda segurança. (Gonçalves)

O tempo por ele passa
Num ritmo bem mais maneiro
Seu andamento é o batuque
Seu relógio é o pandeiro. (Rafinha)

Tempo que nunca foi pai
Provocando disritmia
Levando pra longe do sul
As saudades de minha tia. (Gonçalves)

27 temporadas de regência dessa orquestra
Parabéns para você, parabéns por essa festa
Continue sendo assim, na responsa e no gingado
Um bêbado de botequim, tocando um cinzeiro de barro.
(Rafinha e Gonçalves).

Saúde e paz, irmão!

Abraços,
Léo Brito

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Madrugada

Madrugada,
Mais uma vez me pegou.
Sem jeito na cama
Talvez pela falta de brahma.

Coisa de gente anormal.

Talvez com duas na geladeira,
Dormiria a noite inteira.

Sono de gente normal.

Ultimamente eu tava nessa,
Acordava as seis da matina, dormia com sono à bessa.

Hoje estou naquela, sem sono na hora exata
Mas com a cabeça arejada.

Não sei se a vida normal é inadequada,
Ou a louca santa.
Se preciso ser mais loucos nas horas certas,
E mais normal nas insanas.

Se o sono vier ou não,
Amanhã mais questões vem comigo,
Pra saber se é melhor ser certo,
Ou se de uma vez piro.

Léo Brito

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Noel Rosa – 100 anos

Em 11 de dezembro de 1910 estreou no mundo Noel de Medeiros Rosa. Esse ano, de 2010, comemoraríamos seus 100 anos, no entanto o poeta da vila escreveu sua vida intensamente em apenas 26 primaveras. Morreu no dia 04 de maio de 1937, antes mesmo de completar seu último ano de vida.

Noel Rosa se tornou sinônimo de boemia, de poesia, de samba e de genialidade. Sou fã passional sem vergonha, assumido.

Noel Rosa transformou o samba de morro em samba de asfalto e samba de asfalto em samba de morro. Minimizou os pré-conceitos da época com suas músicas e suas atitudes. Foi intenso em tudo que viveu e por isso o perdemos cedo demais. Mas essa intensidade também deixou um legado, uma herança gigante pra cada apreciador da boa música brasileira e principalmente muita saudade. Pra mim, saudade de um tempo não vivido, mas que me transporto a cada canção que ouço.

Sendo assim, pela saudade e sentimento de luto vou postar a música “Silêncio de um minuto” de Noel Rosa, interpretada pela Roberta Sá no disco “Uma noite com Noel Rosa” gravado em 2007, ano que fazia 70 anos desde a sua morte.

Silêncio de um minuto – Noel Rosa

Não te vejo e não te escuto
O meu samba está de luto
Eu peço o silêncio de um minuto
Homenagem a história
De um amor cheio de glória
Que me pesa na memória
Nosso amor cheio de glória
De prazer e de ilusão
Foi vencido e a vitória
Cabe à tua ingratidão
Tu cavaste a minha dor
Com a pá do fingimento
E cobriste o nosso amor
Com a cal do esquecimento
Teu silêncio absoluto
Obrigou-me a confessar
Que o meu samba está de luto
Meu violão vai soluçar
Luto preto é vaidade
Neste funeral de amor
O meu luto é saudade
E saudade não tem cor

Abraços, Leandro Mattos.

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Vou aproveitar a mudança de prosa do rato Léo, pra postar um poema belíssimo chamado Revelação. O poema revela a criação da poesia pelos olhos e mãos do próprio Paulo Cesar Pinheiro. Obra prima.
E pra dar a emoção que o poema merece, estou anexando o audio do CD “Poemas escolhidos”, onde o poema é recitado pelo próprio autor.

Revelação.

Quando o sol nasce eu já vibro, e antes que o dia desponte,
num ponto de luz me equilibro sobre o cordão do horizonte,
subo na crina do vento, salto no alto do monte.
Tudo que é verso que invento, vem como a água da fonte,
Desce de mim como um rio, passa por baixo da ponte,
do coração que vazio fica esperando defronte.

O verso que escrevo sai limpo, pedra de brilho bonito,
que paciente eu garimpo no coração do infinito.
Verso de luz, verso ameno, verso de dor, verso aflito,
escrito alguns com sereno, com sangue os outros escritos,
uns como a pluma da ave, outros tal como o granito,
ambos se encontram na clave, e os canto tal como os recito.

Por isso é que eu vibro na hora que o dia amanhece e o sol raia,
e vibro se o sol vai se embora, e a lua passeia na praia,
que a dama de luz elabora , com as lágrimas da samambaia,
na toalha azul, noite à fora,bordados de estrela e cambraia.
E após consolar a quem chora,e antes que a noite se esvaia,
a lua nos braços da aurora, em paz se abandona e desmaia.

E o ciclo de luz continua, debaixo da minha janela,
da dama que a noite anda nua e do cavaleiro que à vela,
e eu fascinado com o tempo, contemplo a vida na terra, que bela!
E ergo em meu peito meu templo que aceso de luz paralela,
revela-me como Deus cria: do barro, do sopro, costela.
Eu nunca compus poesia, porque sou composto por ela.

Paulo César Pinheiro

Abraços.

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Um brinde aos amigos.

Aproveitando os aniversário recentes dos grandes amigos, Léo Brito, Felipe Piko e do companheiro Fernandin, vou deixar uma homenagem a estes citados acima e também a galera que faz parte do grupo rato cinza.

UM BRINDE AOS AMIGOS

Acho que nunca havia feito um texto sobre a amizade por saber que por mais belo que este fosse nunca alcançaria de fato a real magnitude e a beleza das amizades que tenho. Então já me desculpo, por insistir nessa missão improvável, no entanto a cada dia, novas histórias surgem e proporcionalmente aumenta minha vontade de agradecer a cada um de vocês por isso.

“Amigos se reconhecem.” Reconhecer e cativar um amigo são idéias importantes, mas creio que a grande questão, ou melhor, o grande desafio seja a manutenção dessa amizade ao longo do tempo.

Brindei por sorte e recebi presentes. Presentes que tento cuidar com muito carinho. Amigo não é sinônimo do sim, não é sinônimo de completa convergência. E por isso nem sempre posso dizer que está certo, que vai ser do seu jeito, e nem espero que me digam, pois apesar de ser inimigo do “não” como um pai cuidadoso com os olhos nos filhos, zelo por meus presentes e espero que zelem por mim.

As histórias formariam vários e vários livros, mas ainda são poucas para um coração apaixonado. Apaixonado sim, pois só esse sentimento explicaria o poder de influência em inúmeras decisões, que cedo aos companheiros “de copo e de cruz” como disse um rato. Sigo coerente até o chamado de um amigo e a partir daí a emoção aflora e razão brinca de se esconder.

Penso que ao conviver muito com outras pessoas deixamos que elas se aproximem e por conseqüência começam a fazer parte de nossas vidas, e daí então adquirem o poder de modificá-la. Muitas coisas vivemos e em muitas coisas mudamos. Aprendemos a lidar com muitas situações e com outras precisamos de mais tempo. Somos jovens, temos tempo de errar e de pedir perdão, mas o fundamental é que sabemos perdoar. Sabemos que cada um tem um jeito de lidar com diferentes situações e queremos ajudar.

Quero agradecer a cada um de vocês por todas as histórias, todos os “não” ditos, todos os “esporros” e claro por toda alegria que compartilharam comigo. Como um filme, ao escrever esse texto, várias foram as histórias que passaram em minha cabeça. Pensei nos que estavam longe nos que estavam perto e cheguei a conclusão de que todos temos muitas coisas em comum e uma delas é que sabemos ser amigos em todas as horas. Que a nossa emoção sobreviva companheiros.

Leandro Mattos.

Parabéns Léo, Mestre Piko e comp. Fernandinho. Saúde, samba e suce$$o companheiros.

Abraços.

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Sem tostão – A crise não é boato.

Noel Rosa. Gênio.

“Sem tostão…
a crise não é boato

Desde o lançamento do livro “Noel Rosa, uma biografia” de João Máximo e Carlos Didier, Cristina Buarque & Henrique Cazes planejavam montar um espetáculo sobre Noel, que fugisse do repertório óbvio e não caisse no vazio das releituras ecléticas.
Partindo da grande familiaridade de Cristina com o universo do samba e da experiência de Henrique em mais de 15 anos com o Conjunto Coisas Nossas, especialista na obra de Noel, montaram um roteiro que desse uma idéia das muitas facetas do Poeta da Vila. O cronista que não perdeu a atualidade, o humorista, o fazedor de paródias, o anti-romântico, o inovador de formas, enfim um gênio que em apenas 26 anos de vida e pouco mais de 8 de trabalho musical, marcou fortemente a Música Brasileira.
Uma sucessão de blocos temáticos, intercalados por estórias engraçadas e reveladoras do espírito “noelino” se desenrolam ao longo de pouco mais de 1 hora de espetáculo. Os tipos cariocas, o nascimento do samba batucado, a violência urbana (já em pauta nos anos 30), as relações entre a mulher e a mentira, o final amargo e um grande bloco falando da crise que ainda é a mesma, mostram um Noel de corpo inteiro, mais de 60 anos após sua morte.
O título “Sem tostão…a crise não é boato” junta o nome de um samba à uma afirmacão de Noel durante uma entrevista: “A crise é a única coisa no Brasil sobre a qual podemos afirmar… não é boato”. Como os anos passam e a situacão não muda, Cristina & Henrique preparam para breve um novo show e novo CD: “Sem tostão 2 …, a crise continua”

***Informações retiradas do disco.

Sem tostão – A crise não é boato.

Galera, vou chamar a atenção para as histórias contadas no disco. Sensacionais.

E outra coisa, como esse disco foi gravado em 92, o novo show e o novo disco ” Sem tostão 2 – A crise continua” já aconteceram em 1999. Em breve disponibilizo pra vocês.

Abraços.
Leandro Mattos.

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Estudando o Samba

Capa do disco


Meus amigos, estou trazendo um disco do Tom Zé que me deixou no mínimo confuso, em vários aspectos, até mesmo sobre postá-lo ou não. Porém, um disco batizado com o nome “Estudando o samba” merece a atenção de quem gosta do gênero. E ainda por cima carrega um texto cheio de bons adjetivos do mestre Elton Medeiros que vou transcrver mais abaixo. De qualquer forma um disco diferente.
Pesquisando sobre o disco encontrei vários adjetivos, desde excêntrico a genial, mas como a idéia é informar, deixo o meu guardado por enquanto para não influenciar na opinião de ninguém. Que cada um tenha o próprio olhar sobre o disco.

No entanto vou ressaltar a antiga faixa 02 do lado B agora faixa 08 do CD – Mãe, de Elton Medeiros e Tom Zé.
“Dorme, dorme meu pecado / Minha culpa, minha salvação.”

Estudando o Samba – Tom Zé – Baixe aqui!

LADO A 1. MÃ 2. A FELICIDADE 3. TOC (instrumental) 4. TÔ 5. VAI 6. UI!
LADO B 1. DOI 2. MÃE 3. HEIN? 4. SÓ 5. SE 6. ÍNDICE

Logo abaixo a transcrição do texto de Elton Medeiros sobre Tom Zé e o disco em questão:

Estudando o Samba

De Irará para Salvador, e daí, Rio de Janeiro, São Paulo, etc., etc., enfim, o menino Tom Zé, quando percebeu, estava entregue às andanças a que são levados os artistas para dar seus recados. E por aí foi indo o Tom Zé: levado dentro de si uma enorme carga musical assimilada das festas religiosas e das serestas que participou em sua terra natal, passando pelo que viu e ouviu nas andanças e devolvendo tudo isso de maneira nova e criadora nas suas composições, após as suas mexeções com todo esse tipo de coisas nossas jogadas dentro de uma pipeta de graduação sonora e de acordo com os conhecimentos que adquiriu no Conservatório de Música da Universidade Federal da Bahia.
E por aí foi indo o Tom Zé: poesia, som , som-poesia, tropicália, Salvador, Castro Alves, Vila Velha, mil aplausos, esbarro com ele, alô, olá, estamos aí, 1966. Rio de Janeiro, São Paulo, festival, festival, Tom Zé ganha alguns, vitória, vitória, mas até hoje não lhe fizeram entrega de um dos mais badalados prêmios que tinha direito. Faz muchocho, quando se lembra, mas não para muito prá pensar nesses calotes porque há muito onde jogar o seu talento e ele não gosta de perder tempo.
Por isso, sem perda de tempo, pensou e realizou este disco, onde procurou reunir uma variedade de tipos e de formas rurais e urbanos do samba, dando a cada música a vestimenta que achou mais adequada.
E por aí vai indo o Tom Zé: certo do seu trabalho certo, mas não muito certo de sua aceitação. A ponto de num desabafo – a meu ver, precipitado – ter-me dito que se este LP não circulasse, teria que abandonar o lado de pesquisa de seu trabalho.
O que é isso, amigo? Se esta procurando um pretexto prá tirar uma licença. pode estar certo de que não vai ser desta vez, pois vai ter que trabalhar dobrado. Só espero que não me prive da oportunidade de novamente ser seu parceiro, pois estou aí para trabalharmos juntos, seja em Irará, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, em etc., ou em etc… Gostei da experiência.

Rio de Janeiro, dezembro de 1975 a. ELTON MEDEIROS

Abraços,
Leandro Mattos.

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