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Posts Tagged ‘Maurício Tapajós’

Este é o título de uma das homenagens mais bem feitas que já vi, para alguns músicos do nosso samba. Uma bela canção de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós que me impressionaram assim que escutei pela qualidade dos versos, pelo coro e pelo enorme trabalho que deve ter dado para as respectivas mãos e cabeças.

Escutei pela primeira vez no CD Estácio & Flamengo postado no blog pelo nosso amigo Felipe (Cramulha). E conheci melhor sua história na biografia do mestre (A letra brasileira de Paulo César Pinheiro), escrita por Conceição Campos. Deixo vocês com a música, a letra e a história dessa maravilha retirada na íntegra do livro. Em breve postarei aqui outra bela homenagem feita por PCP, para gente que toca.

O Samba Bate Outra Vez

(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro)

Odete, Aracy, Dona Ivone
Sílvia Teles, Claudete, Simone
Clara, Beth, Elizeth, Alcione
Dolores Duran, Clementina
Carmem Costa, Miúcha e Cristina
Gal, Bethânia e Elis Regina
Nora Ney, Nana, Linda e Dircinha
Dóris, Elza, Marlene e Emilinha (O samba bate)

O samba bate outra vez
Bate outra vez
Não para
Bate no Estácio
Na mídia, no estúdio
No pódio, no estádio
Num gol do Mengão campeão
E nos programas de televisão
Jornal e rádio.

O samba bate outra vez
Bate outra vez
E invade
Bate no bar, na boate
Nos palcos de toda cidade
Que bom que já bate esse som,
Que é do Brasil, dentro do coração
Da mocidade.

O samba bate outra vez
O toque de reunir
O samba é que leva emoção
Ninguém pode impedir
O samba é que é a revolução
É preciso que se convençam
Por isso hoje o samba saiu
Saiu de novo pra quem não ouviu
E vem do compositor do Brasil
Com sua bênção.

Pixinga, Vinicius e Baden
Caymmi e Chico Buarque
Vanzolini e Mauro Duarte
Manacéa e Walter Alfaiate
Wilson Moreira e Nei Lopes
Bide, Brancura e Baiaco
Marçal, Ismael, Nilton Bastos
Casquinha, Candeia e Monarco (O samba bate)
[refrão]

Mijinha, Anescar, Aniceto
Assis Valente, Ataulpho, Herivelto
Ari Barroso, Jobim, João Gilberto
Haroldo Lobo e Janet de Almeida
Wilson Batista e Geraldo Pereira
Mano Décio e Silas de Oliveira
Vadico, Sinhô, Noel Rosa
Luís Reis e Haroldo Barbosa

Donga e João da Baiana
Monsueto e Luís Soberano
Claudionor e Pedro Caetano
Cartola e Nelson Cavaquinho
Elton Medeiros, Zé Keti, Paulinho
Mirabeau, Zé-com-fome, Valzinho
Lyra, Menescal e Bôscoli
Donato, Aldir, João Bosco.

Miltinho, Aquiles, Rui, Magro,
(A moçada do MPB-4)
Dick, Lúcio, Emílio Santiago
Vassourinha e Ciro Monteiro
Jamelão, Dilermano Pinheiro
Roberto Silva e Roberto Ribeiro
Mário Reis, Jorge Veiga, Moreira
Zimbo Trio, Jair, João Nogueira (O samba bate)
[Refrão]

“Logo que decidi conhecer a fundo a obra de Paulo César Pinheiro, Pedro me chamou para ir com ele a um churrasco na casa do letrista. Maurício Tapajós também estava lá no dia e, assim que os músicos presentes abriram os trabalhos, pude ver que o O samba bate outra vez, uma música que tanto me impressionara alguns meses antes, tinha saído do forno há bem menos tempo do que eu imaginava. Pelo menos foi isso que pude deduzir ao ver que seus dois autores ainda lambiam a cria, tentanto memorizar a letra quilométrica manuscita em um caderno de rascunho. Soube também que uma superprodução musical começava a ser bolada e articulada para gravar o incrível samba em grande estilo- e, diga-se de passagem, com recursos totalmente precários, como é comum acontecer nesses casos.

Desde o primeiro impacto que aquele samba me causara. Eu tinha me sentado ali pra estudá-lo, não paenas com a pretensão de decorar seus muitos metros de letra, mas principalmente para entender melhor a história que vinha com ele. Já sabia identificar, ainda que superficialmente, cada um dos 105 sambistas listados, e tinha observado com atenção a forma como aquela centena de compositores e cantores de épocas tão diferentes estava agrupada nas estrofes. Um merticuloso trabalho de rima e informação aproximava os nomes que faziam parte de um mesmo estilo, grupo, movimento ou época – a velha guarda da Portela e da Mangueira, os sambistas do Estácio, de Vila Isabel, de Botafogo, os cantores do rádio e assim por diante. Também estavam colocados lado a lado compositores que tinham parceiras constantes, assim como integrantes de grupos vocais ou instrumentais. Mas havia outros detalhes interessantes que eu fui descobrindo na sorte daquele encontro festivo dos dois amigos compositores.

Maurício havia feito a música logo depois de ler na Revista de Domingo do Jornal do Brasil uma reportagem que festejava o interesse de jovens cariocas pela tradição do samba, fenômeno que começava a manifestar-se, sobretudo em Santa Teresa na Lapa. Publicada em 27 de novembro de 1994 e assinada pelos jornalistas Ségio Garcia, Álvaro Costa e Moacyr Andrade, a matéria intitulada como O samba bate outra vez ocupava a capa e seis páginas inteiras da revista. Seu título – uma referência ao primeiro verso de As rosas não falam, de Cartola – foi aproveitado por Maurício e Paulinho Pinheiro para o nome e o refrão do samba. Uma vez pronto, foi gravado pouco tempo depois por um conjunto de vinte e poucos nomes importantes da música popular brasileira, todos de alguma forma ligados ao samba e muitos deles citados naquela letra. Produzido pelos músicos Maurício Tapajós e Carrilho, com Hermílio Bello de Carvalho na seleção do repertório, o CD Estácio & Flamengo foi o último lançado pelo selo Saci – Sociedade de Artistas e Compositores Indepentendes, criada e dirigida pelo sempre empreendedor Maurício Tapajós. O compositor, que me pareceu tão bem naquela festa, morreu pouco depois da gravação.

Abrindo o disco, sob arranjo vocal Paulo Malaguti, O samba bate outra vez reunia os solos de Chico Buarque, Elton Medeiros, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Cristina Buarque, Miucha, Amélia Rabello, Zé Keti, Beth Carvalho, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, MPB-4, Paulo Cesar Pinheiro e Maurício Tapajós, entre outros tantos. Achei bonito que a última parceria dos dois juntasse em torno de si tantos fatos encadeados. O verso antigo de um samba tinha nomeado uma reportagem que logo inspirou um compositor a criar música nova. Sobre esta melodia, um poeta, em chamamento, homenageou com seus versos sambistas brasileiros. Respondendo ao chamado, muitos homenageados cantaram uma frase do samba, louvando também desta forma, os nomes dos mestres já mortos. Estavam então todos certos, jornalistas e compositores. A força do samba era grande, e continuaria batento, outras mil vezes e sempre.”

Conceição Campos, 2009, pg29.

Grande Abraço,

Léo Brito

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