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Posts Tagged ‘Paulo César Pinheiro’

Quando fiz por aqui o post sobre a obra prima ‘O samba bate outra vez’, prometi a postagem de mais uma homenagem maravilhosa do Paulo César Pinheiro, desta vez destinada aos instrumentistas, entitulada como ‘Gente que toca’. A letra – que reverencia 173 músicos brasileiros – foi feita para um choro de seu parceiro Sérgio Santos, também companheiro de diversas outras canções. Deixo abaixo pra vocês ‘somente’ a letra, já que não consegui a música. Também retirei as informações na biografia do mestre, feita por Conceição Campos. Apreciem!

Gente que toca

I

Eu quero homenagear
Nesse momento
Quem leva a sério tocar
Seu instrumento

Jacó, Sivuca, Abel
Hermeto e Rafael
Pixinguinha e Garoto
Bijú, Copinha e Nelsinho
Altamiro e Chiquinho
Dino, Meira e Canhoto
Neco, Das Neves e Helinho
Marçal, Mamão, Robertinho

Mas que tremendo prazer
Que me provoca
Ouvir o som pra valer
Gente que toca

Naná, Vespar, Valtel
Pinduca e Maciel
Heraldo, Airton, Luís Alvez
Paulo Moura e Netinho
César Camargo, Deodato
Peranzetta e Donato
Paulo Braga e Gordinho
Juquinha e Milton Banana
Jonas, Valdir, Luciana

Save o talento de quem
Quando toca o seu instrumento
Põe o seu coração

Baden, Cristovão, Luis Eça
Perroni, Turíbio
Laércio, Luizão
Luna, Elizeu, Cabelinho
Pedro Sorongo, Oswaldinho
Wagner Tiso, Senise, Iberê
Zé da Velha, Zeca e Nico Assunção

Deus salve o músico bom
Que leva ao público o som
E a gente fica a seus pés
Feliz daquele que ouviu
A música do Brasil
De Villa e Radamés

II

Eu quero homenagear
Nesse momento
Quem leva a sério tocar
Seu instrumento

Formiga e Déo Rian
Ornellas e Oberdan
Nanai, Laurindo, Rosinha
Bola Sete e Egberto
Toninho Horta e Carlinhos
Juarez e Jorginho
Edu da Gaita e Bebeto
Codó. Paulinho Nogueira
Nonô e Orlando Silveira

Mas que tremendo prazer
Que me provoca
Ouvir o som pra valer
Gente que toca

Luis Chaves e Avellar
Godoy, Bené e Oscar
Sion, Sabino, Bassini
Tião Neto e Novelli
Helvius Vilela e Valzinho
Tapajós, K-chimbinho
Ubirajara e Meirelles
Márcio Mallard e Maurílio
Bonfá, Maurício Carrilho

Save o talento de quem
Quando toca o seu instrumento
Põe o seu coração

Maurício Einhron, Luperce
Pascoal, Picolé
Zé Bodega e Bolão
Morelembaum, Dominguinhos
Ohana, Alceu, Tião Marinho
Raul de Barros, de Souza
Raul Mascarenhas
Montarroyous, Jorjão

Deus salve o músico bom
Que leva ao público o som
E a gente fica a seus pés
Feliz daquele que ouviu
A música do Brasil
De Villa e Radamés

III

Eu quero homenagear
Nesse momento
Quem leva a sério tocar
Seu instrumento

Neném, Doutor, Chacal
Geraldo e Canegal
Antônio Adolfo, Tenório
Dilermano e Aurino
Paulinho da Costa e Zuzano
Luis Americano
Nazaré, Severino
Jayme Ed Lincoln, Ollivetti
Jessé, Paulinho Trumpete

Mas que tremendo prazer
Que me provoca
Ouvir o som pra valer
Gente que toca

Dom Salvador, Jamil
Vitor Assis Brasil
Moreira Lima, Léo Gandelman
Badeco e Quartera
Jotinha, Hamilton, Dininho
Luis Cláudio, Armandinho
Ernesto e Chico Batera
Perrota, Brás, Macaxeira
Zé Alvez e Zé Nogueira

Save o talento de quem
Quando toca o seu instrumento
Põe o seu coração

Canhoto da Paraíba
Arismar, Macaé
Nelson Aires, Papão
Tutti Moreno e Gilberto
Dazinho e Luis Roberto
Moacyr Santos, e Silva
Barreto, Barroso
Gabriel, Zé Bicão

Deus salve o músico bom
Que leva ao público o som
E a gente fica a seus pés
Feliz daquele que ouviu
A música do Brasil
De Villa e Radamés

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Só pra movimentar um poco essa budega! Coração de Malandro, de Jão Nogueira & Paulo César Pinheiro. É outra história, companheiros!

Coração de Malandro by leobrito

É do álbum João – 1988, que você pode escutar aqui!

Não consegui a letra!
: /

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Vou aproveitar a mudança de prosa do rato Léo, pra postar um poema belíssimo chamado Revelação. O poema revela a criação da poesia pelos olhos e mãos do próprio Paulo Cesar Pinheiro. Obra prima.
E pra dar a emoção que o poema merece, estou anexando o audio do CD “Poemas escolhidos”, onde o poema é recitado pelo próprio autor.

Revelação.

Quando o sol nasce eu já vibro, e antes que o dia desponte,
num ponto de luz me equilibro sobre o cordão do horizonte,
subo na crina do vento, salto no alto do monte.
Tudo que é verso que invento, vem como a água da fonte,
Desce de mim como um rio, passa por baixo da ponte,
do coração que vazio fica esperando defronte.

O verso que escrevo sai limpo, pedra de brilho bonito,
que paciente eu garimpo no coração do infinito.
Verso de luz, verso ameno, verso de dor, verso aflito,
escrito alguns com sereno, com sangue os outros escritos,
uns como a pluma da ave, outros tal como o granito,
ambos se encontram na clave, e os canto tal como os recito.

Por isso é que eu vibro na hora que o dia amanhece e o sol raia,
e vibro se o sol vai se embora, e a lua passeia na praia,
que a dama de luz elabora , com as lágrimas da samambaia,
na toalha azul, noite à fora,bordados de estrela e cambraia.
E após consolar a quem chora,e antes que a noite se esvaia,
a lua nos braços da aurora, em paz se abandona e desmaia.

E o ciclo de luz continua, debaixo da minha janela,
da dama que a noite anda nua e do cavaleiro que à vela,
e eu fascinado com o tempo, contemplo a vida na terra, que bela!
E ergo em meu peito meu templo que aceso de luz paralela,
revela-me como Deus cria: do barro, do sopro, costela.
Eu nunca compus poesia, porque sou composto por ela.

Paulo César Pinheiro

Abraços.

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Fala, Rapaziada.

Vou mudar um pouquinho do rumo da prosa com um poema inédito do Paulo César Pinheiro. No tema, uma virtude que constrói muitas das belas músicas que apreciamos: a parceria.

Parceria

Parceria é um casamento, mas que dura…
Porque na parceria não há jura,
Não há promessa de fidelidade.
Se, em plena criação, alguém lhe trai
Você diz ao parceiro, e você vai
E volta a ele quando dá saudade

Porque ele também não magoa
Pois sempre sai alguma coisa boa
Quando na música se prevarica;
Um samba, uma modinha, uma toada…
Depende muito de cada transada,
Mas se é bem dada é uma canção que fica.

Parceria é um casamento que não cansa
Porque não contrato nem cobrança.
Ciúme tem… mas isso é passageiro.
Quem é traído muitas vezes reage
Propondo aos dois fazer uma ménage
No instrumento do próprio parceiro.

Mas, brincadeira a parte, a parceria
É uma amizade uqe se faz um dia
E que não rompe por qualquer besteira.
É o desejo ardente da Poesia
Que vai pra cama como a Melodia
Deixando frutos pela vida inteira.

Aquele abraço

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Violão

Samba lindo de Sueli Costa e Paulo Cesar Pinheiro. Escutei a primeira vez no bar do Flavinho 7 cordas a algum tempo atrás. Essa gravação é da Fátima Guedes no disco “Pra bom entendedor”. Mas também encontrei no disco “Minha arte” da Sueli Costa.

Segue a letra:

“Um dia eu vi numa estrada / Um arvoredo caído / Não era um tronco qualquer.
Era madeira de pinho / E um artesão esculpia / O corpo de uma mulher
Depois eu vi / Pela noite / O artesão nos caminhos / Colhendo raios de luar
Fazia cordas de prata / Que se esticadas vibravam / O corpo da mulher nua
E o artesão finalmente, / Nesta mulher de madeira, / Botou o seu coração
E lhe apertou contra o peito / E deu-lhe nome bonito / E assim nasceu o violão.”

Abraços. Leandro Mattos.

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Ilessi – Brigador


Companheiros,

Como já abordei nos butiquins da vida, segue mais um CD pra escutar exaustivamente no carro, nos nossos churrascos etc.

Mais um que tem as mãos, ou tentáculos de ouro de Paulo César Pinheiro, porque compor nessa quantidade e qualidade eu nunca vi.

Como este dispensa comentários, vou apresentar os acompanhantes da vez nesta obra: a cantora Ilessi e o parceiro Pedro Amorim. Achei uma resenha bacana com mais informações no blog do Mauro Ferreira. Apreciem!

Brigador – Ilessi Canta Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro (2009)

1 – Brigador
2 – Julgamento
3 – Ponta de Punhal
4 – Olhos Azuis
5 – Serena
6 – A pena do sabiá
7 – Barraqueiro de caruaru
8 – Sestrosa
9 – Linha de Cabloco
10 – A sina do negro

Baixe Aqui

Léo Brito

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Este é o título de uma das homenagens mais bem feitas que já vi, para alguns músicos do nosso samba. Uma bela canção de Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós que me impressionaram assim que escutei pela qualidade dos versos, pelo coro e pelo enorme trabalho que deve ter dado para as respectivas mãos e cabeças.

Escutei pela primeira vez no CD Estácio & Flamengo postado no blog pelo nosso amigo Felipe (Cramulha). E conheci melhor sua história na biografia do mestre (A letra brasileira de Paulo César Pinheiro), escrita por Conceição Campos. Deixo vocês com a música, a letra e a história dessa maravilha retirada na íntegra do livro. Em breve postarei aqui outra bela homenagem feita por PCP, para gente que toca.

O Samba Bate Outra Vez

(Maurício Tapajós/Paulo César Pinheiro)

Odete, Aracy, Dona Ivone
Sílvia Teles, Claudete, Simone
Clara, Beth, Elizeth, Alcione
Dolores Duran, Clementina
Carmem Costa, Miúcha e Cristina
Gal, Bethânia e Elis Regina
Nora Ney, Nana, Linda e Dircinha
Dóris, Elza, Marlene e Emilinha (O samba bate)

O samba bate outra vez
Bate outra vez
Não para
Bate no Estácio
Na mídia, no estúdio
No pódio, no estádio
Num gol do Mengão campeão
E nos programas de televisão
Jornal e rádio.

O samba bate outra vez
Bate outra vez
E invade
Bate no bar, na boate
Nos palcos de toda cidade
Que bom que já bate esse som,
Que é do Brasil, dentro do coração
Da mocidade.

O samba bate outra vez
O toque de reunir
O samba é que leva emoção
Ninguém pode impedir
O samba é que é a revolução
É preciso que se convençam
Por isso hoje o samba saiu
Saiu de novo pra quem não ouviu
E vem do compositor do Brasil
Com sua bênção.

Pixinga, Vinicius e Baden
Caymmi e Chico Buarque
Vanzolini e Mauro Duarte
Manacéa e Walter Alfaiate
Wilson Moreira e Nei Lopes
Bide, Brancura e Baiaco
Marçal, Ismael, Nilton Bastos
Casquinha, Candeia e Monarco (O samba bate)
[refrão]

Mijinha, Anescar, Aniceto
Assis Valente, Ataulpho, Herivelto
Ari Barroso, Jobim, João Gilberto
Haroldo Lobo e Janet de Almeida
Wilson Batista e Geraldo Pereira
Mano Décio e Silas de Oliveira
Vadico, Sinhô, Noel Rosa
Luís Reis e Haroldo Barbosa

Donga e João da Baiana
Monsueto e Luís Soberano
Claudionor e Pedro Caetano
Cartola e Nelson Cavaquinho
Elton Medeiros, Zé Keti, Paulinho
Mirabeau, Zé-com-fome, Valzinho
Lyra, Menescal e Bôscoli
Donato, Aldir, João Bosco.

Miltinho, Aquiles, Rui, Magro,
(A moçada do MPB-4)
Dick, Lúcio, Emílio Santiago
Vassourinha e Ciro Monteiro
Jamelão, Dilermano Pinheiro
Roberto Silva e Roberto Ribeiro
Mário Reis, Jorge Veiga, Moreira
Zimbo Trio, Jair, João Nogueira (O samba bate)
[Refrão]

“Logo que decidi conhecer a fundo a obra de Paulo César Pinheiro, Pedro me chamou para ir com ele a um churrasco na casa do letrista. Maurício Tapajós também estava lá no dia e, assim que os músicos presentes abriram os trabalhos, pude ver que o O samba bate outra vez, uma música que tanto me impressionara alguns meses antes, tinha saído do forno há bem menos tempo do que eu imaginava. Pelo menos foi isso que pude deduzir ao ver que seus dois autores ainda lambiam a cria, tentanto memorizar a letra quilométrica manuscita em um caderno de rascunho. Soube também que uma superprodução musical começava a ser bolada e articulada para gravar o incrível samba em grande estilo- e, diga-se de passagem, com recursos totalmente precários, como é comum acontecer nesses casos.

Desde o primeiro impacto que aquele samba me causara. Eu tinha me sentado ali pra estudá-lo, não paenas com a pretensão de decorar seus muitos metros de letra, mas principalmente para entender melhor a história que vinha com ele. Já sabia identificar, ainda que superficialmente, cada um dos 105 sambistas listados, e tinha observado com atenção a forma como aquela centena de compositores e cantores de épocas tão diferentes estava agrupada nas estrofes. Um merticuloso trabalho de rima e informação aproximava os nomes que faziam parte de um mesmo estilo, grupo, movimento ou época – a velha guarda da Portela e da Mangueira, os sambistas do Estácio, de Vila Isabel, de Botafogo, os cantores do rádio e assim por diante. Também estavam colocados lado a lado compositores que tinham parceiras constantes, assim como integrantes de grupos vocais ou instrumentais. Mas havia outros detalhes interessantes que eu fui descobrindo na sorte daquele encontro festivo dos dois amigos compositores.

Maurício havia feito a música logo depois de ler na Revista de Domingo do Jornal do Brasil uma reportagem que festejava o interesse de jovens cariocas pela tradição do samba, fenômeno que começava a manifestar-se, sobretudo em Santa Teresa na Lapa. Publicada em 27 de novembro de 1994 e assinada pelos jornalistas Ségio Garcia, Álvaro Costa e Moacyr Andrade, a matéria intitulada como O samba bate outra vez ocupava a capa e seis páginas inteiras da revista. Seu título – uma referência ao primeiro verso de As rosas não falam, de Cartola – foi aproveitado por Maurício e Paulinho Pinheiro para o nome e o refrão do samba. Uma vez pronto, foi gravado pouco tempo depois por um conjunto de vinte e poucos nomes importantes da música popular brasileira, todos de alguma forma ligados ao samba e muitos deles citados naquela letra. Produzido pelos músicos Maurício Tapajós e Carrilho, com Hermílio Bello de Carvalho na seleção do repertório, o CD Estácio & Flamengo foi o último lançado pelo selo Saci – Sociedade de Artistas e Compositores Indepentendes, criada e dirigida pelo sempre empreendedor Maurício Tapajós. O compositor, que me pareceu tão bem naquela festa, morreu pouco depois da gravação.

Abrindo o disco, sob arranjo vocal Paulo Malaguti, O samba bate outra vez reunia os solos de Chico Buarque, Elton Medeiros, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Cristina Buarque, Miucha, Amélia Rabello, Zé Keti, Beth Carvalho, Walter Alfaiate, Wilson Moreira, MPB-4, Paulo Cesar Pinheiro e Maurício Tapajós, entre outros tantos. Achei bonito que a última parceria dos dois juntasse em torno de si tantos fatos encadeados. O verso antigo de um samba tinha nomeado uma reportagem que logo inspirou um compositor a criar música nova. Sobre esta melodia, um poeta, em chamamento, homenageou com seus versos sambistas brasileiros. Respondendo ao chamado, muitos homenageados cantaram uma frase do samba, louvando também desta forma, os nomes dos mestres já mortos. Estavam então todos certos, jornalistas e compositores. A força do samba era grande, e continuaria batento, outras mil vezes e sempre.”

Conceição Campos, 2009, pg29.

Grande Abraço,

Léo Brito

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